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Primeras sensaciones en Florencia

Bogdan y Carla nos cuentan las primeras sensaciones que han vivido en Florencia como usuario y acompañante de silla de ruedas. Sus sueños respecto al proyecto, las reflexiones que les está despertando descubrir la Florencia accesible.

Como diseñar y participar en una expedición

Organizar una expedición es una tarea complicada que lleva meses de trabajo, gestión y burocracia. Es necesario tener capacidad para la logística, saber gestionar recursos humanos, saber evitar los problemas y también solucionarlos…Aprende de la mano de Jordi Serrallonga.

Fotografía antropológica de la mano de Artisal

La antropología, del griego Anthropos “hombre o humano” y Logos “conocimiento” es descrita como una ciencia social que estudia al ser humano de una forma integral. Descubre nuestro aprendizaje de la mano de Artisal.

La Odisea: punto y final

Nuestra tarea orientada al turismo accesible se traslada a El mundo accesible, una plataforma que nace fruto del trabajo durante el Máster en Periodismo de viajes.

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jueves, 3 de mayo de 2012

Um amor de aeroporto

Gustav Klimt - O Beijo
Um silêncio preenchia o ambiente. Não era o silêncio da falta de assunto, aquele que incomoda, e sim o oposto. Nada do que dissessem seria suficiente. O hotel, no centro de São Paulo, era o que podiam pagar, ela como jornalista e ele com sua bolsa de estudos. Travesseiros ruins e deformados, lençol áspero, colchão pouco confortável, mas tudo limpo. Ali também poderiam ser apreciados os piores quadros do mundo. Os dois sempre riam do mau gosto dos pintores e das sua divas.

Esse não era o lugar ideal, sabiam. Uma vez pegaram um quarto todo verde, que lembrava as paredes de um hospital, em outra, Paulo quase sofre um acidente. Durante o banho, o chuveiro pegou fogo, chamas por cima e água por baixo. Alícia não parava de rir. Ele se assustou, mas continuo seu banho em meio a nevoa de fumaça e o mal cheiro. Mesmo cientes da má qualidade dos serviços, incluso das toalhas, sempre voltavam ao fatídico estabelecimento.

Na verdade, não se importavam. Nada atrapalhava a sensação de estarem juntos numa cama, abraçados e nus. Cortinas fechadas para o mundo. Risadas gratuitas. Diálogos despretensiosos.  Olhares profundos, concentrados e perdidos no outro. Pele, boca e mão. Estavam entregues. Tinham sua própria dinâmica, já sabiam como desvendar um ao outro, eram íntimos e sempre os foram, desde que se conheceram.
  - Você pode me arrumar um cigarro?
Disse ela, que jurava ter parado de fumar. Estavam na Argentina, final de outubro de 2009, aeroporto de Córdoba. Paulo deu o cigarro. Estava acompanhado de duas amigas, e os três teriam ido à Córdoba para um congresso de filosofia. Alícia gostou do roteiro, achou interessante, já que só iria fazer um intercambio para aprender espanhol. Nada tão complexo. Todos precisavam de um táxi, o frio e o cansaço começavam a incomodar. Decidiram ir juntos. Racharam a corrida e trocaram contatos, com a certeza de que nunca mais se veriam.

No dia seguinte Alícia acorda junto com palavras estranhas. Na sala um alemão, na cozinha, um austríaco. “Em que língua digo bom dia?”, pensou.  O desconforto do primeiro contato convidou-a a dar uma volta na cidade, mesmo sem saber para onde. Andou muito, sem direção, não tinha mapa. Sem querer foi parar em frente ao hotel no qual Paulo estava hospedado, identificou a fachada, a mesma da noite anterior.
- Paulo, é a Alícia, nos conhecemos ontem no aeroporto.  Está afim de fazer alguma coisa?
- Oi Alíciiiaaa, tô sim (com voz de quem foi acordado). Mas você pode voltar daqui uma hora? To super cansado, fui dormir muito tarde.
- Ahhhh, tá bom, eu volto depois.
- Combinado, um xêru.

E ela voltou sem orgulho, nem se deu conta do primeiro não que havia levado. O dia estava azul demais para ficar sozinha. Insistiu. Ligou no quarto de Paulo e agora ele estava pronto, desceu. Começaram a caminhar. Ele indicava a direção, ela se deixava levar. Havia prometido a si mesma que nessa viagem não seguiria roteiros. Queria somente ir, se perder pelas ruas, não tinha grandes ambições e nem pressa. Estava disposta aos encontros e previa, fingindo que não, o acaso. Para a moça, viajar era isso.

“Para” “Atravessamos” “Subimos” “Cruzamos” “É para lá ou para cá?” “Cuidado com o sinal”. O sol não demonstrava pena e rigorosamente marcava sua presença. De vez em quando a brisa refrescava o trajeto que ia se transformando ao poucos, junto com os dois. Ele, sempre reservado, abriu o sorriso e correu quando avistou dois balanços; sentou-se em um, e começou a voar alto, estimulado por seu corpo magro e ágil. Era um doutorando em filosofia, estudava Espinosa um autor do século XVII e mesmo assim, era demasiado jovem. Lembrou dos desenhos da sua infância e falaram futilidades ao som de uma versão, em espanhol, de um sucesso brega brasileiro.

Alícia começava a escutá-lo com mais atenção, ele tinha uma calma admirável. Entre o estar no alto e estar embaixo ia lendo, no mesmo impulso do balanço, o desenho do pensamento dele, o ritmo de sua fala. “Que cara engraçado”, pensava, e já gostava do seu sotaque cearense. Ele falava o que vinha na cabeça. Ela também. Seguiram andando e sentaram no jardim de um bar.  Ao invés de uma cerveja de 650 ml, como no Brasil, “una botella de un litro”. Heineken. Política. Heineken. Infância. Heinekeni. Viagens. Heineken. Família. Heineken. Troca de olhares. Heineken. Um toque no braço. Heineken. Um beijo.

Perto dali, além da praça, havia um parque de diversões. Depois de uma foto ao lado da árvore de algodão doce, foram ao bate-bate. Das três rodadas que fizeram, Alícia  ganhou duas, embora Paulo negue até hoje. Em menos de oito horas juntos, conheciam-se, queriam-se, já se gostavam.  Ao final da noite não podiam mais se separar. Sentados em um banco, de uma praça qualquer, de uma cidade ainda desconhecida, a moça só queria ouvi-lo. O moço só queria falar. E disse algumas frases em seu francês perfeito, e ela se encantava. Naquela cidade viram-se só mais uma vez e o segundo encontro também foi igualmente doce.

Voltaram para São Paulo, cada um no seu tempo. Entre as viagens de férias dela e as de congressos dele, viam-se sempre, falavam quando a saudade pedia, nunca tiveram regras de comportamento, eram “levianos”. Como dois adolescentes, descobriam um sentimento forte, reconheciam suas diferenças, queriam a companhia um do outro e chegaram rápido em um lugar seguro: o da confiança mútua.

Fevereiro de 2010. Uma viagem maior, não de duas semanas, dois meses, mas de um ano. A mesma história que por sua vez já tinha atravessado fronteiras, estaria ilhada. A relativa distância de antes, o falar e se ver quando tinham vontade, desta vez estava determinada por 12 mil quilômetros e uma passagem só de ida. Alícia  iria embora para Espanha e Paulo ficaria em Sampa, trabalhando para defender sua tese.

O hotel era o mesmo, dessa vez escolheram o quarto maior, na tentativa de dispersar a agonia de uma despedida. Ela fazia força para impregnar em sua memória o cheiro dele, a textura de sua pele, do seu cabelo. Ele tentava colocar no bolso da jaqueta o sorriso dela e o calor de seu colo, o mais aconchegante que tinha provado. Um dia antes da partida, ao invés das juras de amor, promessas irrealizáveis de fidelidade e planos de se reencontrarem, não conseguiam falar. Foi um amor mudo, já saudoso. Só se abraçavam e cada um com sua dor, já sentia a ausência do outro. Choraram discretos, abraçados e de costas um para o outro. Permaneceram calados e tristes. Entregues, como sempre.  Um silêncio preencheu o ambiente. Não era o da falta de assunto, e sim o aposto. Eles que se conheceram no aeroporto de outro pais, agora viam a mesma causalidade que os uniram, separando-os. Até que enfim, algumas poucas palavras:

- Sentirei saudades, disse ela.
- Eu também, mi corazón.
- Não se esqueça da gente.
- Nem se eu fizesse Lobotomia – e continuou – Não sei porque me vejo chegando ao aeroporto de Madrid, e você lá, me esperando.

Paulo entrega sua tese no fim desse mês de abril. Alícia viaja para Veneza com uma amiga, para comemorar seu aniversário. Quase não se falam, além da distância, claro, o fuso horário e os estudos dos dois são os grandes vilões da história. Mas a vida segue e com ela esperam, mesmo fingindo que não, o acaso de um novo reencontro. Um aeroporto? Talvez mais um cigarro ou talvez só mais uma lembrança? Quem sabe?





Solo para valientes


Olvídense, por un buen rato, de Galdi, Messi o tapas. Conocemos una Barcelona mas oscura, llena de fantasmas, misterios y brujas. Atrévete a acompañarnos por esta ruta?

 Davi Carneiro y Lívia Velasco

Susurros turbadores, el sonido misterioso de unos pasos que invitan a acelerar los propios, objetos que se mueven o desaparecen … casas endiabladas, hostales de renombre en los que se comían al huésped, casas de exorcistas y escuelas de brujas … Estos son cosas de los fantasmas de Barcelona. Historias que la metrópoli ‘cool’ de hoy en día ha olvidado y que, al ser rememoradas, confieren una atmósfera un tanto más escabrosa a la actual ciudad de postal.


Fuente: Davi Carneiro
Grupo haciendo el recorrido
Fuente: Davi Carneiro


¿Cuáles son las leyendas urbanas de Barcelona? ¿Qué esconden las calles de la ciudad cuando cae la noche? ¿Quién son sus fantasmas? Fuimos tras estas respuestas (armados de agua bendita, ajo y buen puñado de ortigas, por precaución). Recorremos la ruta “de los fantasmas”, una visita nocturna basado en el libro “Fantasmes de Barcelona” de la periodista y escritora catalana Sylvia Lagarda-Mata. Esta ruta sigue un planteamiento “lúdico e histórico” que invita a jugar con tradiciones y leyendas urbanas en torno a hechos paranormales sucedidos en lugares cargados de historia muchas veces desconocida por los propios barceloneses.

Según Lagarda-Mata, casi doscientos relatos inspirados en casos reales o fruto de la superstición popular, que datan desde la época de los romanos a la actualidad, convierten la ciudad condal en capital de fantasmas. “Pensaba que Barcelona no tenía historias de fantasmas, por ser una ciudad mediterránea y luminosa. Pero cuando empecé a escarbar descubrí todo lo contrario. El libro no es más que una excusa para redescubrir el pasado de algunos rincones y personajes de la capital catalana. Siempre con el nexo común de hechos sobrenaturales históricos y una buena base documental”, concluye.

Para Blanca Espa, directora ICONO serveis culturals,  una empresa especializada en crear itinerarios temáticos por Barcelona, esta ruta fascina por recorrer una geografía espectral para descubrir dónde habita lo sobrenatural. “Exorcismos, brujerías, conventos encantados y registros de apariciones fantasmales invaden las calles que recorremos que los participantes pueden descubrir de una forma misteriosa, divertida y amena. Creamos esta ruta a dos años y viene todo tipo de público, especialmente el local”.

¡Cuidado! No Mires Atrás!

Una inspiración en el medio de camino
Fuente: Davi Carneiro 
Por el itinerario se pueden encontrar multitud de curiosidades. Antiguamente los barceloneses creían que la Vía Láctea era un río del cielo que las almas de los difuntos tenían que atravesar para entrar en la gloria; que en el paseo del Born estaban las horcas preferidas del Tribunal de la Santa Inquisición; que el mercado de la Boqueria se levantó sobre las ruinas del convento de los carmelitas descalzos, y que, desde su asesinato en 1835, cada 15 de julio alguien aún les oye cantar; o que en el siglo XIX había una casa en la calle de Mirallers (Ciutat Vella) donde el poeta Verdaguer practicaba exorcismos.

Leyendas populares, como la del hostal Flor de Lis, en la que se mataba de noche a los huéspedes ricos para robarles y cocinar su carne para los otros clientes, y otras tantas reales, como la cabeza del general Moragas, que colgó durante doce años de una jaula para recordar a los catalanes la derrota ante las tropas de Felipe V.

Uno de los más conocidos es el fantasma de El Liceo, que dicen que ronda por el edificio y que es el culpable de que haya sufrido incendios, atentados y más desgracias. La historia comienza diciendo que está construido donde antes había un convento. La última, sucedió en 1990, cuando por los cielos de Barcelona vieron volar lo que se creía que era un dragón. Y la más antigua proviene de la época de los romanos, en el lugar donde se supone que estaba el antiguo templo de Mitra.

Si, entonces, un buen día caminando por las calles de Barcelona siente un extraño escalofrío, no te olvides, puede tratarse de uno de los muchos fantasmas que deambulan, etéreos, atrapados en algún rincón histórico de la ciudad.

Recorrido
• Arc de Triomf –Este es el comienzo del tour en el que conocerá a los espíritus, y se mentalizará y preparará para las próximas 2 horas.
• Plaça del Comerc – Esta cerca de la muralla medieval de Barcelona, e introduce los fantasmas de Portal Nou. Esta zona experimenta actividad paranormal en torno a 8-10 veces al año, desde las 21:00 de la medianoche en adelante.
• Plaça de Sant Pere – El escenario en el que se dice que una persona fallecida ha desaparecido en el antiguo monasterio, que también alberga una iglesia dañada en los sucesos de La Semana Trágica
• Flor de Lliri –Esta calle es el hogar de una pocas casas de huéspedes, donde en 1950 muchos viajeros desaparecieron misteriosamente… todavía no han sido declarados muertos, ya que sus cuerpos nunca fueron encontrados.
• Mercat Santa Caterina – Un mercado que alguna vez fue un convento de los dominicos, y el lugar donde numerosos testigos han declarado que vieron a Satanás, cuando las brujas celebraban misas negras invocando al diablo.
• Placeta d’en Marcus –Esta plaza gótica ha sido testigo de ejecuciones y flagelaciones y desde entonces se dice que ha habido un montón de eventos paranormales, todas con un fenómeno en común – los pozos encantados.
• Carrer de la Neu de Sant Cugat –Sede de la escuela de brujería más famosa de Barcelona, en un barrio donde muchas personas se identificaron como brujas.
• Carrer del Rec –Esta es la ubicación de una acequia donde las mujeres de Barcelona lavaban la ropa en la Edad Media, hay muchas historias que relatan actos satánicos ideados como castigos por crímenes, como lavar la ropa de noche.
• Carrer Montcada –La calle residencial conocida más antigua del Born, y hogar de muchas historias fantasmales incluidos secuestros y asesinatos.
• Carrer dels Mirallers – El caso de los demonios, sede de un templo especializado en el tratamiento de las posesiones demoníacas.

martes, 24 de abril de 2012

Repórter não tem casa - Lívia Velasco








“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem”
 Guimarães Rosa.




Quando o repórter vai para a rua deve ir inteiro. Olhos, boca, nariz, mãos, bloquinho de anotação, gravador, câmeras ou, se confiar, deve ligar o botão da memória e ativá-la no módulo elefante. A rua pode ser qualquer uma do mundo: amontoada de gente, de bicicleta, com pessoas de gravata, de turbante, rua deserta.

Para escrever uma história é preciso observar a realidade da qual pretende se escrever, ouvir mais que falar. Estar atento aos detalhes para poder reportar ao leitor a atmosfera, o contexto social e histórico nos quais esses fatos se desenrolaram. Se a rotina atribulada modula o olhar para que histórias passem desapercebidas, sair da vida comum já é um começo para readequar um novo ângulo da realidade.

Assim, a viagem é um estado de espírito, no qual se está mais aberto para olhar o outro. É uma ferramenta de modular descobertas, reencontrar o desconhecido, se perder, procurar a essência e promover encontros entre mundos distintos. Ao viajar nos forçamos a aprender a todo instante, somos estimulados a olhar para o outro, exercer de maneira mais intensa a humildade já que nos sentimos livres e fortes por ir ao encontro do desconhecido, e ao mesmo tempo, pequenos e frágeis diante do tamanho do mundo.

Cada destino um recomeço
Nasci no Brasil, em 1986, no estado de Mato Grosso do Sul, onde fiz jornalismo, na universidade pública desse estado. Durante esse período, atuei como estagiária, estando em contato direto com questões relacionadas aos direitos humanos, minorias sociais e questões de gênero. Sempre fui consciente de todos os jogos de interesses a que exercício da profissão é submetido, da manipulação da mídia em favor de uma pequena minoria, mas mesmo assim, sigo otimista.

Acredito que devemos buscar a denúncia e falar sempre a favor do bem comum, precisamos resistir e até negociar maneiras de burlar esse sistema que fez da comunicação um mercado de ideologias. Por isso nunca pude parar de estudar, de buscar conhecimento e ferramentas para apresentar conteúdos diferenciados ao leitor, materiais que não contribuam como uma visão já estabelecida e que levam alguma experiência diferenciada ao público. Assim, depois da graduação me mudei para a cidade de São Paulo e cursei a especialização em Jornalismo Literário, na Associação Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL).

Embora com uma carreira ainda jovem, atuei como repórter quatro anos, trabalhando com a editoria de turismo e com jornalismo coorporativo. Há dois meses, cruzei o Atlântico para fazer o Máster en Periodismo de Viajen, porque sonhos não têm fronteiras geográficas. Estar em Barcelona é o meu novo recomeço e, sem dúvida, o grande desafio da minha história, porque inicio um projeto de vida no qual pretendo unir a narrativa literária do jornalismo com a viagem, usando essas duas paixões para apresentar ao leitor, a minha percepção, das várias faces do mundo. Como cidadã, repórter e habitante desse planeta, só posso ser útil ao mundo escrevendo, não sei fazer outra coisa, não tenho opções. Então espero, sinceramente, que meus escritos sirvam para algo e que vocês também viagem pelas ruas e histórias que eu passar.

Boa viagem com La Odisea.